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quinta-feira, 14 de março de 2019

BRASIL: NÚMERO DE ARMAS DEVE TRIPLICAR EM 4 ANOS


Com o decreto que facilita a posse de armas, o mercado brasileiro do setor, estimado em R$ 1 bilhão por ano, pode ser invadido por empresas estrangeiras. O temor é de especialistas em violência. Eles avaliam que o número de armas legalizadas no país deve triplicar de 7 milhões para 21 milhões, em três ou quatro anos. O aumento preocupa por episódios como o massacre de estudantes em escola de Suzano (SP) ontem.

No momento, o mercado nacional é disputado apenas pela Taurus e por poucas marcas estrangeiras, como Glock, Beretta, SIG Sauer e Iwi. Essas e outras marcas, como Smith & Wesson, Barrett e Ruag Ammotec já confirmaram presença numa feira internacional de armas no Rio de Janeiro, em abril. A LAAD Defence & Security 2019 é a maior feira da cadeia produtiva de defesa e segurança da América Latina. São esperadas pelo menos 450 marcas nacionais e internacionais.

"A feira, num momento como este, é uma sinalização clara da tentativa de abrir o mercado brasileiro. É um retrocesso no campo da segurança pública porque não tem como separar posse de armas da violência", disse Luís Sapori, professor de mestrado e doutorado em Ciências Sociais na PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) e especialista em segurança pública.

Aumento de pedidos de registro de armas

Especialistas e organizações, como Sou da Paz informam que, mesmo antes de o decreto ser assinado, já vinham observando um aumento significativo nos pedidos de registro.

No ano passado, esse número chegou a 48,5 mil, em comparação com 45,5 mil em 2017, de acordo com dados da Polícia Federal. Entre 2014 e 2018, o número de registros autorizados passou de 1,2 milhão. Os especialistas apontam ainda a existência de pelo menos 15 milhões de armamentos ilegais.

"Imaginar que em poucos anos teremos quase 40 milhões de armas, entre legais e ilegais, circulando entre os brasileiros me faz pensar muito em uma situação de alto risco para a segurança do país", disse Sapori.

Financiamento facilitado pode ampliar compra de armas

Em tese, pelo menos 135 milhões de brasileiros maiores de 25 anos (dados autuais do IBGE) poderiam comprar armas de fogo.

Mas o número real deve ser bem menor. Segundo o IBGE, 92,5 milhões de brasileiros ganham R$ 2.270 em média por mês. Uma pistola simples não sai por menos de R$ 4.000 em lojas de São Paulo.

No entanto, a facilitação no financiamento, a possibilidade de abertura do mercado e o aumento da concorrência ajudariam muita gente a ter acesso às armas.

Fonte: Uol

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